quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Assinar:
Comentários (Atom)
Cláudio Antunes Boucinha[1]
Introdução
A teoria geológica de placas tectônicas é considerada moderna.
A idéia de modernidade associada à ciência sugere uma condição de controle científico que não é certo.
Depois do que aconteceu em Sri Lanka, para que serviria essa teoria moderna?
Comenta-se que irão melhorar o desempenho de um sistema que avise não só os países ricos; mas o problema seria de ordem político-ideológica ou da própria ideologia da ciência que diz o que não pode fazer realmente?
Por outro lado, o fenômeno denominado Tsumani, palavra de origem japonesa, é tão comum assim, para que os cientistas tratem com certa frieza o acontecido em Sri Lanka?
A diferença dessa última Tsumani que aconteceu no Sri Lanka e região próxima da Ásia esta na ampla divulgação do fato pela imprensa e pela mídia internacional, fazendo do fato não apenas um acontecimento local, mas um fato planetário, com necessárias ações planetárias, o que parece ser, cada vez mais, uma tendência da política atual.
Ou seja, a democracia não está mais restrita exclusivamente às fronteiras ou discursos nacionais ortodoxos, mas está vinculada a todo um discurso de cidadania do mundo, de cidadania planetária que já não é um discurso alternativo, contraproducente, inócuo.
No entanto, o termo globalização está sendo conceituado ainda, visto que esta palavra ainda não foi bem filtrada por todas as instituições e povos do mundo.
A procura dessa definição, cientistas políticos e economistas, especialmente, estão procurando raízes da globalização na história da humanidade, embora todo o antropocentrismo, embora todo eurocentrismo, embora toda a ocidentalização dessa história consagrada como história universal.
Comenta-se a globalização já fazia parte do discurso de Alexandre, O Grande; ou então que a primeira onde de globalização foi durante as Grandes Navegações ocidentais, das Grandes Descobertas durante a Expansão Marítima; que a segunda onde de globalização seria durante o Imperialismo do final do século XIX, em direção à África e Ásia e, em parte, para a América Latina.
Em todos esses momentos históricos destacados, a idéia civilizatória está presente, visto que os povos conquistados eram considerados antropologicamente inferiores.
O próprio cristianismo associado ao Império Romano conteria todo um discurso de dominação intelectual sobre outras religiões e povos, um cristianismo de conquista, onde a liberdade e a tolerância ficavam para o segundo plano, em vista da preponderância de um discurso que colecionava fiéis e exterminavam infiéis.
O fato é que um conceito aceitável de globalização está longe de ser bem aceito como uma verdade insofismável, um conceito de reconhecido valor pela comunidade científica, um paradigma da história das ciências.
A mídia internacional sugere um sentimento único de que fizemos parte de um mesmo planeta, embora os cidadãos do mundo vivam em os mais diversos contextos, inclusive no contexto em que a mídia não é considerada, por variados motivos, nem um minuto sequer, visto a pobreza e a miséria reinante, muitas vezes associada a uma cultura tradicional francamente contra qualquer tipo de modernização ocidental.
Sem falar nos conceitos utilizados pela própria mídia, muitas vezes caricaturais, fruto de uma abordagem simplista e superficial, típica de uma sociedade ocidental em que a velocidade é uma das suas características essenciais.
O que chama atenção, no que foi divulgado pela mídia internacional, depois que a Tsunami que ocorreu recentemente na Ásia, com resultados catastróficos, é a semelhança do quadro de miséria apresentado que é muito semelhante ao quadro de miséria da América Latina e da África, o que une, por uma causa comum, (embora de uma forma inadvertida para os menos acostumados de olhar os espaços longe das “catedrais” e das “capitais” e “Megalópoles” e do cosmopolitismo em geral do capitalismo) os pobres do mundo, os “sem voz” e os “sem vez”; poderia existir, portanto, uma globalização da miséria.
É importante destacar que um intercâmbio econômico (globalização do capitalismo) não significa um intercâmbio cultural (fim dos regionalismos e difusão do ocidentalismo).
Em outras palavras, em sociedades consideradas pré-capitalistas, tipo orientalismo, as contradições econômicas não significam, no mesmo patamar, transformações culturais em nome de uma cultura supostamente superior e com valor universal.
Referindo-se à Índia, Grünwald assinalava a discrepância que havia entre a cultura local e a cultura ocidental, não superada pelo modo como foi feito o contato entre Oriente e Ocidente:
“Tampouco se pode falar numa influência espiritual do Ocidente sobre a Índia. Foram os negociantes e os exércitos europeus que invadiram o país e não os cientistas, filósofos, artistas e poetas, que são os que poderiam contribuir para um intercâmbio cultural em benefício de ambos – do Oriente e do ocidente”. (GRÜNWALD, 1954, p. 56).
Embora incerto, inseguro, ainda com preconceitos e estigmas, os Estudos Culturais, o multiculturalismo, os movimentos de gênero, os movimentos étnicos, refazem um discurso cultural monótono, absoluto, despolitizado.
No estudo do caso, um dos pressupostos essenciais é buscar a verdade, que nunca é absoluta, mas sempre síntese de múltiplas determinações, com inúmeras variáveis, com diferentes campos científicos que estão integrados.
A verdade que não é só ciência ortodoxa, mas uma ciência que busca conciliar aspecto transcendental e aspecto material, em que, tanto num como no outro, o acaso precisa ser investigado, para que a verdade transborde e seja plena de conhecimento e de luz.
A geometria, em seu aspecto factral, sugere uma procura por um padrão, por uma periodicidade.
A estatística, em suas probabilidades “caóticas”, também faz parte do jogo.
Mas sempre há lugar para o inteiramente novo, para o salto qualitativo, para fora do controle.
Mas a razão não pode estar num lugar que não seja sua medida.
A razão não é tudo, mas a abdicação da razão implica na derrota parcial de toda uma evolução, com erros e acertos, da humanidade como um todo.
Conforme Blavatsky, Voltaire (VOLTAIRE, 1995, pp. 319-320), no final de sua vida, tornou-se “pitagórico” e, ainda segundo Blavatsky, Voltaire terminou por dizer:
(...): O acaso é uma palavra destituída de sentido; nada existe sem uma ‘causa’.
Em outra tradução/interpretação do trecho completo selecionado/filtrado por Blavatsky, seria da mesma obra referida de Voltaire (VOLTAIRE, 2004, p. 228), publicada no Brasil, pode-se ler o seguinte:
(...): ‘Acaso’ é uma palavra vazia de sentido, e nada pode existir sem causa.
Pode-se falar numa teoria para as catástrofes na Terra?
No momento em que inauguramos o século XXI, com todas as dúvidas de final do século XX, dúvidas já recorrentes no calendário ocidental, especialmente as datas “milenares”, o resgate da razão é fundamental, sob pena de fortalecermos atitudes humanas descabidas, típicas do “Milenarismo” religioso, apontando para a humanidade uma nova Idade das Trevas.
Cotterell sugeria teoria explicativa das catástrofes na Terra, no interior de uma teoria geral da existência, entre outras tantas teorias, a possibilidade de outra teoria bastante peculiar, que poderia ser denominada de uma teoria do ciclo das catástrofes, uma teoria de destruição cataclísmica. (COTTERELL, 2001, p. 173).
Para Cotterell, por exemplo, o sol seria uma das causas dos ciclos das catástrofes na Terra.
Considerando que o campo magnético do sol poderia ser revertido periodicamente, Cotterell admite que, se a “torção magnética” da Terra não for suficientemente forte, o planeta inclinaria sobre o seu eixo (isso não aconteceria com toda mudança). (COTTERELL, 2001, p. 255).
Para Cotterell, os campos magnéticos do sol e da Terra seriam mutuamente acoplados.
As mudanças magnéticas periódicas do sol e da Terra produziriam, às vezes, um cenário em que a Terra balançaria em seu eixo, realinhando o campo magnético ao do sol, produzindo destruições catastróficas no planeta. (COTTERELL, 2001, p. 256).
Nesses momentos de reflexão sobre catástrofes naturais, alguns teóricos, geralmente combatidos por uma ciência ortodoxa, chamada por cientistas ortodoxos como “pseudocientistas” que produzem uma “pseudociência”, voltam à tona.
Velikovsky, em sua época, explicou como os extintos mamutes ficaram congelados no local onde estavam, 10.000 anos atrás, na Sibéria, com botões-de-ouro entre os dentes.
Que fenômeno congelante pode ter ocorrido para causar tamanha mudança no hábito em que comiam tranqüilamente, de um clima temperado a um deserto gelado, de forma instantânea?
Como depósitos de carvão podem ter se formado na Antártida, onde o clima é frio demais para sustentar bosques?
Como palmeiras fossilizadas podem ter se desenvolvido no clima gelado de Spitzbergen?
O bom senso dizia a Velikovsky que a Terra, em algum momento do passado, inclinou-se sobre seu eixo.
Áreas no Equador, mais quente, foram recepcionadas nos pólos, e os pólos geográficos foram parar no Equador. (COTTERELL, 2001, p. 221).
“(…) significaria que o mundo não se inclina sobre o próprio eixo periodicamente (o que, por sua vez, significaria que não há motivo para uma palmeira não poder crescer no clima gelado de Spitzbergen, nem pra não se encontrar um depósito subterrâneo de petróleo na Antártida; e os mamutes congelados da Sibéria devem ter sobrevivido com uma dieta de neve, e os botões-de-ouro, encontrados entre seus dentes não passam de imaginação dos escavadores e exploradores)”. (COTTERELL, 2001, p. 259).
“A violência do maremoto no Oceano Índico mexeu até na rotação da Terra”. (GRYZINSKI, 2005, p. 47).
Como classificar um fenômeno que mudou o eixo de rotação da Terra?
Que adjetivo usar para um cataclismo em que ilhas inteiras foram deslocadas e outras ilhas foram engolidas, para sempre?
Em que morreram em segundos mais de 100.000 pessoas em doze países?
Que liberou uma energia equivalente à de um milhão de bombas atômicas como a de Hiroshima?
Ceilão (Sri Lanka)
A Ilha do Ceilão, a partir de outro olhar, também era lugar para o grotesco, na medida em que acalentava no seu interior uma comunidade de homens especiais, homens grotescos, homens “com caudas, sem pelos”.
Pelas indicações, tais homens específicos necessitavam de assentos especiais para suas “caudas como de um cão”, tipo “cadeiras com furos”.
As “cadeiras com furos” sugeriam um deslocamento cultural, visto que o uso de cadeiras estava dentro dos costumes ocidentais e não nos costumes orientais, estes acostumados melhor em almofadas, em esteiras, até mesmo no chão.
A cadeira, como se conhece no Ocidente, já era conhecida no Antigo Egito.
Esses homens com “caudas” podem sugerir a humanização de um tipo de fauna aproximada dos cães; ou podem sugerir o contrário, a animalidade desses homens?
A “cauda” poderia ser um problema genético num grupo específico de humanos, certamente isolados, reproduzindo-se de uma forma que não admitia contato com outros grupos humanos, seja pelas fronteiras agrestes, desérticas, com baixa ocupação humana, seja pelo difícil acesso, seja pela vontade do próprio grupo familiar em viver de maneira solitária; ou a “cauda” poderia significar um tipo humano desconhecido, tipo os pigmeus africanos?
O fato, da “cauda”, não ter “pelos”; leva a suposição de que a “cauda” poderia ser uma extensão da coluna, visto que existe verdadeiramente na coluna humana, em seu final, um tipo de cauda atrofiada.
Dentro de um contexto de “seleção das espécies”, qual a utilidade de uma “cauda” no ser humano?
Por que a “cauda” perdeu sua função nos humanos atuais, se é que tiveram cauda?
E, por outro olhar, se a cauda incomodava para sentar numa cadeira “normal”, sem furos, até que ponto a memória social desses humanos com “cauda” já não estaria perdida para eles, visto que a “cauda”, no momento da descrição dos viajantes, já era um sinal de incômodo?
Certamente que houve uma época em que os homens “com cauda”, se é que existiram no Ceilão, não se incomodavam com suas “caudas” e nem com “cadeiras com furos”.
É óbvio que toda essa especulação se dá num contexto do fantástico e do maravilhoso.
Sugere, também, para quem aceita certa plasticidade no momento da configuração do feto no útero da mãe, certa atração maternal por uma “figura com rabo de cão”, o que poderia levar à mãe a dar a luz a um ser muito próximo da teratologia.
Como o relato de Marco Pólo, por exemplo, na atualidade, é muito considerado, visto ser, muitas vezes, a única fonte de estudo sobre povos e lugares já desaparecidos, trabalho de recuperação cultural dos mais amplos, exigindo um arco de conhecimentos dos mais variados, a ponto de nomear um tipo de estudo específico, com especialistas em Marco Pólo, sempre é bom não negar peremptoriamente o que foi relatado por esse viajante italiano.
Tribos de Homens com Caudas
Taprobana is actually Ceylon, although it was sometimes confused with Sumatra on some maps. Taprobana, as it was called on most early maps, was an important post for trade between the east and the west, and was drawn too large on many maps because of its importance. (See Ptolemy map) But Marco Polo states: “It has a circumference of some 2400 miles. And I assure you that it used to be bigger than this. For it was once as much as 3500 miles, as appears in the mariners' charts of this sea. But the north wind blows so strongly in these parts that is has submerged a great part of this island under the sea". Marco Polo also tells of the legend that Adam is buried on the top of a mountain in Taprobana. Supposedly, at the top of the mountain there were teeth, hair and a bowl used by Adam (or possibly a Saint called Sakyamuni Burkhan) as well as his footprint in the rock. This mountain is also known as Mount Serendib. A stairway and chains have been hung on the mountain so that people on pilgrimage can climb to the top. When the Great Khan heard this story, he sent a mission there in 1284 to get the items, which they did. The teeth were described as maxillary teeth which were large, and the bowl was described as green porphyry. Another traveler tells that the natives of Ceylon claimed that Eden was located only 40 miles from Adam's Peak. There are many other myths about Taprobana too- that there was a race of men there that had tails, or a 4-headed snake whose heads would point North, South, East and West. Sir John Mandeville told of gold-digging ants that lived there. There were large hills of gold and the ants would separate the gold from the dirt. But the ants were as big as dogs, and nobody dared to go near them. Men could go in and steal the gold using two different methods: 1. In the summer when it was hot, the ants would stay in their holes during the mid-day sun. Then men could come on camels or horses and take the gold. 2. In other seasons, they would send in young horses with empty containers on them. The ants, who cannot stand to leave anything unfilled, would fill the containers with gold, and then the horses would be called back. The island is also called Zeilon, Serendip, or Taprobane (from the Sanskrit word tamraparni, meaning copper-leaved.) Early Greeks also called it Palaesimundum.
Tailed men.
Many old stories tell of tribes of men with tails, particularly in Borneo, Java, and Ceylon. Pliny tells of men in Ceylon who had long hairy tails. Peter Martyr tells of a race in Inzaganin who had such tails, but could not move them and had to sit on chairs with holes in them. Similarly, a writer on Borneo reports of a trader telling him that on the northeast corner of Borneo there were men with tails that were 4 inches long and they required special seats. Marco Polo tells of men in Lambri[2] (probably Sumatra) whose tails are about a palm in length, and about the width of a dog's tail but with no hair on them. Another story tells of the Niam Niams[3], from Abyssinia that have 2 inch tails.. [4]

Figura 1 http://www.eaudrey.com/myth/images/Marvels/tailed%20men.gif .

Figura 2 http://www.eaudrey.com/myth/Places/images/Adam%27sPeak.jpg .

Figura 3 http://www.eaudrey.com/myth/Places/images/Taprobana.gif .
O mundo é pequeno para a nossa curiosidade que se renova.
A viagem pelo mundo prossegue e a seguir constituirão objeto de nossas notas as excursões que fizemos a Ceilão, Penang, Malaca e Cingapura.
Colombo[5]
O vapor vai ancorar no Porto de Colombo, antiga Taprobana[6], que Camões pôs no início de “Os Lusíadas” [7]. (GRÜNWALD, 1954, p. 73). [8]
“Também os hindus, dos quais já foram súditos, se declaram contra eles (os habitantes solares) e os (hindus) tratam de rebeldes (os habitantes solares), como também os povos da Taprobana, dos quais (dos povos da Taprobana) tiveram (os habitantes solares) os primeiros socorros”. (CAMPANELLA, 2004, p. 43).
CAMPANELLA não dimensiona em profundidade o que foram “os primeiros socorros” dos “povos da Taprobana” e nem diz quem eram esses “povos da Taprobana”.
Colombo é a capital da Ilha de Ceilão, cujo nome é de origem cingalesa e deriva de Senhala que significa “Gruta dos leões”.
A “Pérola do Oriente”, assim chamada porque a sua forma geométrica se assemelha à de uma pérola.
A costa é rica em pérolas. (GRÜNWALD, 1954, p. 73).
Reza a lenda que os nossos primeiros pais, Adão e Eva, depois da sua expulsão do Paraíso, passaram o exílio nesse ‘Jardim do Éden’. (GRÜNWALD, 1954, p. 73).
Séculos atrás, essa preciosa ilha estava quase ligada ao continente por inúmeras ilhotas, hoje (1953?) desaparecidas, as quais, dispostas em uma mesma direção, do continente à ilha, davam idéia de uma ponte natural; daí o nome, “Ponte de Adão”. (GRÜNWALD, 1954, p. 73).
Para conciliar a geografia com a lenda, conta-se que Adão por lá teria chegado ao paraíso terrestre, a divina [ilha do] Ceilão, e as pegadas do nosso pai comum teriam ficado num rochedo da ilha, denominado Adam’s Peak. (GRÜNWALD, 1954, p. 73).
Mas, como as religiões disputam entre si as verdades, também as pegadas do tal rochedo têm a sua procedência bastante contestada. (GRÜNWALD, 1954, p. 73).
Para os budistas, ela é de Buda, e para os hindus, de Vixenu. (GRÜNWALD, 1954, p. 73).
Na ânsia, porém de apropriar-se de tão sagrada marca, os adeptos de ambas as religiões esquecem-se de que as suas dimensões são muito pouco humanas e, naturalmente, muitas menos divinas. (GRÜNWALD, 1954, p. 73).
O tratamento é de quem menosprezava a inteligência dos habitantes locais.
Essas gigantescas pegadas medem 1 metro e meio de comprimento e 75 centímetros de largura...
As modernas filhas de Eva (referindo-se, certamente, às suas acompanhantes de excursão ao Ceilão), a bordo do vapor, estavam ansiosas para conhecer o “paraíso” – apenas para comprar as famosas pérolas de Ceilão.
Colombo, a capital da Ilha do Ceilão, foi fundada pelos portugueses, no século XVI.
Sucederam-lhe (referindo-se aos portugueses) os holandeses, em busca de canela, e depois os ingleses, que fizeram da ilha uma colônia, independente da Índia.
Conseguiu (a Ilha do Ceilão) sua independência completa, após a Segunda Guerra Mundial. (GRÜNWALD, 1954, p. 73).
Nessa ilha dos formosos coqueiros reina um ritmo de vida mais animado que na Índia, em virtude do temperamento e da mentalidade dos cingaleses, semi-arianos, e que professam o budismo e falam língua mista; do “páli” e “sânscrito”, na qual há muitas palavras antigas extraídas das línguas dravidianas. (GRÜNWALD, 1954, p. 74).
Aos olhos do “sahib”, pois assim se chamam os estrangeiros na Índia, suas ruas são muito mais movimentadas que as da Índia, e os habitantes da ilha muito mais fortes, não só por causa do clima marítimo, como pelo regime alimentar que não é vegetariano. (GRÜNWALD, 1954, p. 74).
Devido à falta de proteínas animais (aminoácidos essenciais para o organismo) o povo hindu não ostenta a robustez e a saúde (sendo pouco resistente às doenças tropicais) dos muçulmanos, que, como os cingaleses na Ilha do Ceilão, onde não se vêem vacas sagradas nas ruas, não são vegetarianos. (GRÜNWALD, 1954, pp. 56-57).
A ilha do Ceilão é famosa pelo chá aromático e saboroso.
A mais fina qualidade de chá é cultivada nas montanhas de Kandy.
Índia, Java e Ceilão são (1953?) os maiores exportadores de chá no mundo. (GRÜNWALD, 1954, p. 74).
Anuradhdpura, Antiga Capital dos Reis Cingaleses.[9]
Vastas plantações ladeiam a estrada que nos leva até essa localidade (Kandy), situada próximo de Anuradhdpura, antiga capital dos reis cingaleses, e que era muito maior que Roma, 300 anos a . C.
Hoje (1953?), viceja ali (em Anuradhdpura, antiga capital dos reis cingaleses) uma floresta virgem e as ruínas da cidade têm por habitantes as feras e as cobras.
Aí (em Anuradhdpura, antiga capital dos reis cingaleses) está a mais antiga residência (até 846) dos reis dos cingaleses, que viviam em magníficos palácios.
Seus (dos reis cingaleses) templos são da época do Rei Dewanampiya Tissa (do século III a . C.), época de esplendor, como testemunham até hoje (1953?) as obras de arte e as enormes “Dágabas”, nos templos, em forma de grandes campainhas que serviam para guardar relíquias religiosas.
Nas selvas da vizinhança (de Kandy) se encontram a pantera, a cobra e os elefantes selvagens.
A antiga arte dos cingaleses se parece muito com a helênica.
A antiga represa foi reconstruída.
Houve, na velha cidade de jardins, irrigação artificial e canalização. (GRÜNWALD, 1954, p. 74).
Elefantes
Na estrada, encontram-se muitos elefantes, ao invés de cavalos, transportando grossos troncos de árvores.
Alguns deles (elefantes) pertencem ao serviço dos templos, são conduzidos pelos indígenas, chamados “mahouts”.
Chegamos a ver um elefante que acabara de sair de seu banho ritual no Rio Katagastota (big sandy river).
Graças a uma pequena gratificação para o “mahout”, o estrangeiro não deixará de aproveitar a oportunidade para montar num desses animais (elefantes) quase antediluvianos, cujos filhotes pesam, ao nascer, 80 a 100 quilos. (GRÜNWALD, 1954, p. 74).
Jardim Zoológico
Além do jardim botânico de Peradenya, famoso como o jardim Buitenzorg, na Ilha de Java, existe ainda um jardim zoológico no meio da floresta de Kandy, perto da estrada.
Encontramos um circo no qual se poderia assistir a um espetáculo de elefantes, bem como ver diversas feras enjauladas, procedentes das “jungles”.
As feras desses circos são muito mais ferozes que as que se exibem nos espetáculos das cidades européias.
Um empregado do jardim zoológico chamou a atenção do excursionista para duas cobras raras.
Uma delas, contou o empregado, possui tão forte veneno que mata um elefante, e a outra, de cor vermelha cinzenta, tem por hábito saltar sobre os homens para picar-lhes os olhos. (GRÜNWALD, 1954, p. 74).
Fotografia.
Na fotografia (pp. 104-105), vemos cingaleses de cabelos compridos e fixos, com pentes de tartaruga; estão vestidos com a saia “sarong”, são altos, vivos, de bela aparência, e os seus “birotes”, às vezes, impedem-nos de distinguir-lhes os sexos.
As suas moradias, feitas de pedra e cobertas de folhas de palmeira, estão mais de acordo com a higiene que as moradias dos hindus. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
Kandy[10]
Chegamos a Kandy. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
Situada pitorescamente nas Montanhas, ao redor de um lago, cujas margens estão cobertas por exuberante vegetação tropical, Kandy é uma cidade de veraneio pra os ricos que fogem do calor e da malária.
Liga-se a Colombo por estrada de ferro. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
A estrada de ferro foi um instrumento tipicamente inglês de domínio sobre o interior da Ásia, buscando aproximar territórios de difícil acesso, inacessíveis para o deslocamento de efetivos, de tropas militares que efetivassem o controle das regiões. Depois, a maneira popular de transporte em toda a Ásia; às vezes, o único transporte.
“Procissão de Peraha”.
Nessa cidade (Kandy) se realiza, uma vez por ano, uma festa religiosa, a “procissão de Peraha”, na qual aparecem, ricamente adornados, os elefantes dos templos e dos marajás.
É um verdadeiro sonho oriental aquele quadro multicor do misticismo budista. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
Embora todo o compreensível espanto do excursionista, o fato é que, colocado em outros contextos, poder-se-ia também falar num “verdadeiro sonho ocidental”, ou num “verdadeiro sonho africano”, ou até mesmo num “verdadeiro sonho indígena brasileiro”. O espantoso, o fantástico, o maravilhoso, predomina, no pensamento do excursionista, sobre uma compreensão da cultura local budista, seja uma cultura mística ou não.
O “Dente Simbólico” de Buda
Existe, ainda, em Kandy, um templo onde se guarda o “dente simbólico” de Buda, o qual é exposto, também, uma vez por ano, aos milhares de peregrinos que acreditam nesse mito. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
Assim como seria mito uma série de objetos sagrados dos cristãos? O racionalismo do excursionista é rigoroso com relação à religião budista, aliás, uma religião tão farta em “penduricalhos” como muitas religiões cristãs.
Apesar de esse dente possuir cinco centímetros de comprimento,parecendo tratar-se de uma presa de Jacaré, ninguém duvida de que ele pertencesse efetivamente a Buda. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
Assim como ninguém duvida dos objetos sagrados cristãos, livremente comercializados em todos os cantos do Ocidente, desde a época de Constantino, até os dias atuais.
Afinal, aos deuses nada é impossível. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
A ironia do excursionista seria para todas as religiões ou somente para a religião budista? O racionalismo do excursionista admite que exista o impossível? E que, existindo o impossível, essa existência só pode ser divina? O divino é irracional?
Em 1815, Kandy foi ocupada pelos ingleses, o que significou o fim do reino dos cingaleses. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
A ocupação da Ilha do Ceilão, no século XIX, sugeria um quadro que antevia o Imperialismo nascente dos Europeus na Ásia?
Em Kandy, conservam-se intactos os costumes dos cingaleses.
Observamos um grupo de meninos em trajes femininos, de sarong dos tempos antigos, dançando durante uma representação, ao ritmo do tambor. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
O excursionista sugere uma preocupação de gênero, que daria o que pensar ao pensamento orientado em Freud: os meninos são meninos ou os meninos são meninas? Os trajes dos cingaleses são masculinos ou femininos? Não haveria uma explicação melhor para o fato, embora pudesse depor contra a própria cultura (costumes) dos cingaleses, visto que não permitiria a presença de mulheres nas danças sagradas?
Vimos um faquir que, de pé, conservava o braço direito levantado para o céu, do nascer ao pôr-do-sol. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
Nessa descrição, por um lado, a manifestação da religiosidade tipicamente oriental, de sobrepujar a vontade do corpo em consideração à vontade da alma; o domínio dos músculos e da dor; o treinamento da concentração num ponto de referência fora do ego; o domínio do sofrimento como forma de atenuar o karma do ciclo das reencarnações; por outro lado, o outro extremo, a reprodução da superstição, a reprodução de técnicas que visam apenas atrair o turista curioso, estrangeiro sempre ansioso por novidades deglutíveis em cinco segundos.
Fotografia.
A foto (pp. 104-105) mostra um grupo de “veddhas” que vivem nas florestas há 4.000 anos e é o que resta desse povo primitivo da ilha. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
Pelo fato de morarem na floresta, podem os vedas não ter outra classificação de “primitivos”, isto é, do ponto de vista de uma antropologia já ultrapassada, de povos inferiores aos povos brancos?
Curiosas são as danças védicas, conservadas na tradição desses primeiros habitantes de Ceilão. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
O que diria o excursionista brasileiro sobre as danças folclóricas no Brasil, como a dança no Batuque, a dança nos fandangos gaúchos, a dança no Kuarup dos índios: seriam danças curiosas, de pessoas também curiosas, de uma cultura curiosa, feita especialmente para olhos curiosos de estrangeiros ávidos por curiosidades?
Os dançarinos, “devil-dançers” (dançarinos-do- diabo), ficam, no fim das danças, deitados no solo em estado cataléptico ou histérico, acordando somente depois de certo tempo. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).[11]
O que diria o excursionista brasileiro sobre as danças no Batuque, no Brasil: seriam também danças vinculadas ao mal?
Esses vedas são muito medrosos. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
O excursionista desdenha o medo dos vedas como um sentimento inferior, desnecessário. No entanto, o mesmo excursionista não reflete sobre a forma de ocupação da Ilha do Ceilão; sobre a forma como são tratados os cingaleses pelos estrangeiros e pelas classes dominantes locais.
Vivem (os vedas) retraídos nas florestas e ocultam cautelosamente suas mulheres.
De regresso a Colombo, entramos num tempo de Buda, situado perto da estrada de Kandy.
Um quadro impressionante espera o estrangeiro.
A figura de Buda, em atitude meditativa, destaca-se dentre os muitos quadros coloridos do templo, que representam a vida terrestre do Gautama.
No altar desse templo, as perfumadas flores de lótus atestam a fidelidade dos seus crentes.
Quem observar o culto exterior do budismo e compara-lo com o hinduísmo, terá a mesma impressão da diferença entre o catolicismo e o protestantismo. (GRÜNWALD, 1954, p. 75).
O excursionista fazia uma crítica à religião de Buda, sugerindo um culto exterior exagerado, em detrimento a um suposto sentimento interior mais refinado que o excursionista atribuiria ao hinduísmo e, por classificação por semelhança, ao protestantismo. A crítica do excursionista à religião budista, fortalece a idéia de um tipo de racionalismo já identificado em outras passagens do relato de sua excursão.
“Mount Lavinia”.[12]
De Colombo fomos ao “Mount Lavinia”, lugar muito procurado pelos plantadores de chá e pelos estrangeiros, graças à sua situação magnífica.
No “Mount Lavinia” existe um palácio encantador, construído por ordem de um governador inglês e oferecido à sua esposa Lavinia, donde o nome do monte.
Esse palácio, hoje (1953?), está transformado num hotel famoso do Extremo Oriente. (GRÜNWALD, 1954, p. 76). [13]
Fotografia.
Numa das fotos (pp. 112-113) vê-se o oceano espumejando junto aos rochedos do monte.
A costa, ali, é bastante pitoresca, bordejada de coqueiros que inclinam suas palmas sobre o mar...
Os banhistas, entretanto, não se podem sentir a vontade nesse local em virtude dos tubarões.
Voltando a Colombo, observamos os primeiros jinriquixás no Oriente.
São carros puxados por homens, cingaleses, no caso, pela estrada que nos leva ao bairro indígena da ilha, “Slave Island”, a terra dos escravos da capital. (GRÜNWALD, 1954, p. 76).
BLAVATSKY, H. P. Ísis sem Véu. Volume I. São Paulo: Pensamento, 1995.
BLAVATSKY, H. P. Ísis sem Véu. Volume III. São Paulo: Pensamento, 1995.
“Philosophie”. In: VOLTAIRE. Dictionnaire Philosophique. Citado por BLAVATSKY, 1995.
VOLTAIRE. Dicionário Filosófico. São Paulo: Martin Claret, 2004.
“Seção Quarta: Manual de Filosofia Antiga; do verbete Filosofia”. In: VOLTAIRE. Dicionário Filosófico. São Paulo: Martin Claret, 2004.
COTTERELL, Maurice. As Profecias de Tutankhamon. São Paulo: Madras, 2001.
NAÇÕES DO MUNDO. “Japão”. Rio de Janeiro: Time-Life Books/Cidade Cultural, 1988.
GRÜNWALD, Rodolfo. Viagem pelo Mundo. 2ª edição. São Paulo: Melhoramentos, 1954.
CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas. São Paulo: Cultrix, 1995.
[1] Mestre em História do Brasil.
[2] Do Reino de Lambri. Lambri (Lambri – talvez a região atual de Aken, na Sumatra) é um reino à parte, idólatra, vassalo do Gran-Khan. Existe aqui muita cânfora e outras especiarias caras.
[4] Fonte: http://www.eaudrey.com/myth/Places/taprobana.htm. Acessado em: 19 de janeiro de 2005. Hora: 05:21.
[5] Fonte: http://www.greatestcities.com/Asia/Sri_Lanka/Colombo_city.html. Acessado em: 19 de janeiro de 2005. Hora: 03:51.
[6] “Da Ilha de Seilla. Ao deixar a Ilha de Ágama, seguindo rumo sudoeste, durante cem milhas, encontra-se a Ilha de Seilla (Seilla – Ceilão, atual Sri Lanka), que é a maior do mundo. Mede duas mil e quatrocentas milhas de circunferência, conforme o mapa-múndi mostra mostra. Antigamente era muito maior, mas o vento do norte, soprando com muita violência, submergiu grande parte. Esta Ilha é governada por um rei chamado Sedemai (Pandita Prakaima Bahu)”.
[7] "As armas e os barões assinalados/ Que, da ocidental praia lusitana,/ Por mares nunca de antes navegados,/ Passaram ainda além da Taprobana,/ Em perigos e guerras esforçados/ Mais do que prometia a força humana,/ E entre gente remota edificaram/ Novo reino, que tanto sublimaram”. (CAMÕES, 1995, p.21). fonte: http://planeta.terra.com.br/arte/mundoantigo/camoes/2.htm . Acessado em: 19 de janeiro de 2005. Hora: 05:15.
[8] “149. Da Ilha de Seilla. Ao deixar a Ilha de Ágama, seguindo rumo sudoeste, durante cem milhas, encontra-se a Ilha de Seilla, que é a maior do mundo. Mede duas mil e quatrocentas milhas de circunferência, conforme o mapa-múndi mostra. Antigamente era muito maior, mas o vento do norte, soprando com muita violência, submergiu grande parte”. (POLO, 1999, p. 109).
Fonte: http://www.eaudrey.com/myth/Places/taprobana.htm . Acessado em: 19 de janeiro de 2005. Hora: 05:21. Fonte: http://www.eaudrey.com/myth/tailed_men.htm . acessado em: 31 de dezembro de 2009.
[9] Fonte: http://www.greatestcities.com/Asia/Sri_Lanka/Anuradhapura_city.html. Acessado em: 19 de janeiro de 2005. Hora: 04:03.
[10] Fonte: http://www.greatestcities.com/Asia/Sri_Lanka/Kandy_city.html . Acessado em:19 de janeiro de 2005. Hora: 03:57.
[11] “A virtude mais estrita e a pureza são condições exigidas do Vatu, ou candidato, na Índia, antes que ele se torne um iniciado, (...) Essas virtudes são: 01) a resignação; 02) o hábito de fazer o bem em vez do mal; 03) a temperança; 04) a probidade; 05) a pureza; 06)a castidade; 07) o domínio dos sentidos físicos; 08) o conhecimento das Escrituras Sagradas; 09) o da alma (espírito) Superior; 10) a veracidade; 11) a paciência. (...) Certamente a prática dessas virtudes é incompatível com a noção de uma adoração do diabo ou de uma vida de lascívia!”. (BLAVATSKY, 1995, p. 92).
[12] Fonte: http://www.greatestcities.com/Asia/Sri_Lanka/DehiwalaMount_Lavinia_urban_district.html . Acessado em : 19 de janeiro de 2005. Hora: 04:10.
[13] Fonte: http://www.tourslanka.com/mount_lavinia_hotel.htm . Acessado em : 19 de janeiro de 2005. Hora: 04:26.